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Como calcular o ponto de equilíbrio do seu negócio (passo a passo)

Por Cristiano Drumond · 17 de junho de 2026

Quanto a sua empresa precisa vender por mês só para não ter prejuízo? Se você não sabe responder de cabeça, está dirigindo sem painel. Esse número tem nome — ponto de equilíbrio — e calcular ele é mais simples do que parece. Neste guia você vai aprender a fórmula certa e ver dois exemplos numéricos completos, em reais, do começo ao fim.

O que é o ponto de equilíbrio (em uma frase)

Ponto de equilíbrio é o nível de vendas em que a empresa não tem lucro nem prejuízo — ela apenas empata. É a linha de chegada mínima: vender abaixo dela significa prejuízo; vender acima, lucro.

Saber esse número muda o jogo. Em vez de torcer pelo fim do mês, você passa a ter uma meta clara: "preciso vender X para cobrir tudo; o que passar disso vira lucro". É a diferença entre administrar no escuro e administrar com painel.

Os três números que você precisa separar

Antes da fórmula, separe seus gastos em dois tipos. Essa separação é onde a maioria erra:

O terceiro número é a margem de contribuição: o que sobra de cada venda depois de pagar os custos variáveis dela. É essa sobra que vai "contribuir" para pagar os custos fixos e, depois, formar o lucro. Fórmula: Margem de contribuição = Preço de venda − Custo variável.

A fórmula do ponto de equilíbrio

Existem duas formas de calcular, e você escolhe a que faz mais sentido para o seu negócio.

Em quantidade (quantas unidades vender):

Ponto de equilíbrio = Custos fixos ÷ Margem de contribuição por unidade

Em faturamento (quanto faturar em reais):

Ponto de equilíbrio = Custos fixos ÷ Margem de contribuição em % (sobre o preço)

A versão em quantidade é ótima para quem vende poucos produtos parecidos (uma padaria, uma loja de um item). A versão em faturamento é melhor para quem vende muitos produtos diferentes (um restaurante, uma loja variada).

Exemplo 1: por unidade (loja de marmitas)

A Ana vende marmitas. Cada uma sai por R$ 25 e custa R$ 15 em ingredientes e embalagem (custo variável). Os custos fixos do mês (aluguel, gás, ajudante) somam R$ 8.000.

Passo 1 — margem de contribuição por marmita: 25 − 15 = R$ 10.

Passo 2 — ponto de equilíbrio: 8.000 ÷ 10 = 800 marmitas por mês.

Leitura: a Ana precisa vender 800 marmitas só para empatar. A marmita 801 em diante começa a dar lucro de R$ 10 cada. Se hoje ela vende 600, sabe exatamente o tamanho do buraco: faltam 200 marmitas por mês.

Exemplo 2: por faturamento (negócio com vários produtos)

O Pedro tem uma lanchonete com cardápio variado, então pensar em "unidades" não funciona. Ele trabalha com percentuais. Em média, para cada R$ 100 vendidos, R$ 60 são custos variáveis (insumos, embalagem, taxa de cartão). Logo, sobram R$ 40 — ou seja, a margem de contribuição é de 40%. Os custos fixos são R$ 12.000 por mês.

Ponto de equilíbrio em faturamento: 12.000 ÷ 0,40 = R$ 30.000 por mês.

Leitura: o Pedro precisa faturar R$ 30.000 por mês para empatar. Tudo que vender acima disso, 40% vira lucro. Se ele quiser lucrar R$ 4.000, é só somar ao numerador: (12.000 + 4.000) ÷ 0,40 = R$ 40.000 de meta.

Perguntas frequentes

Qual a fórmula do ponto de equilíbrio?
Em quantidade: Custos fixos ÷ Margem de contribuição por unidade. Em faturamento: Custos fixos ÷ Margem de contribuição em percentual. A margem de contribuição é o preço de venda menos o custo variável.
Qual a diferença entre custo fixo e custo variável?
Custo fixo não muda com as vendas (aluguel, salários). Custo variável sobe e desce junto com as vendas (matéria-prima, comissão, taxa de maquininha). Separar os dois é essencial para o cálculo.
O que é margem de contribuição?
É o que sobra de cada venda depois de pagar os custos variáveis dela. Essa sobra cobre os custos fixos e, depois disso, forma o lucro. Calcula-se assim: preço de venda menos custo variável.
Como uso o ponto de equilíbrio para definir uma meta de lucro?
Some o lucro desejado aos custos fixos antes de dividir. Exemplo: para lucrar R$ 4.000 com margem de 40% e custos fixos de R$ 12.000, faça (12.000 + 4.000) ÷ 0,40 = R$ 40.000 de faturamento-meta.

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Escrito por Cristiano Drumond — administrador pela UFMG, MBA, especialização em Gestão Financeira pela Fundação Dom Cabral (FDC). Foi empresário por 10 anos e hoje é executivo de finanças. Ensina finanças para donos de micro e pequeno negócio, de igual pra igual, sem contabilês.
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